sábado, 1 de setembro de 2012

A SÍNDROME DO CARRO NOVO E A MORTE DOS UZÁS DE HOJE

Confesso que ri muito quando folheava uma revista destinada à Escola Dominical, editada por uma séria e conceituada editora evangélica. Seu autor, Pastor Elinaldo Renovato, muito sabiamente se referia aos novos costumes eclesiásticos surgidos principalmente em favor da Teologia da Prosperidade e da confissão positiva e dei de cara com esse nome de síndrome. Como todos sabem a síndrome não é doença, mas, um estado de funcionamento alterado onde várias alterações físicas e psicológicas surgem em decorrência dela. Seu aparecimento se nota em alterações para mais ou para menos, dependendo do caso. Certo é que, ela nunca deixa o corpo sem alguma seqüela e algumas, infelizmente, são irreversíveis.

O autor da lição compara os novos costumes a uma síndrome chamada de “do carro novo” lembrando o episódio de Uzá e da Arca, em II Samuel 6.1-3. Os sacerdotes sabiam que a Arca deveria ser transportada em seus ombros, segura pelas varas, mas, a vontade de inovar e a falta de observação às prescrições dadas por Deus no tempo da peregrinação no deserto fizeram com que alguém que não era sacerdote pusesse as suas mãos nela, resultando assim em sua morte. Uma coisa trágica que poderia ser evitada se as prescrições divinas fossem observadas.

Quando paro para pensar nos “carros novos” que os cristãos têm construído para carregar as coisas sagradas que Deus tem ordenado à sua igreja, fico deveras preocupado. A graça de Deus, uma coisa tão simples de ser entendida, tem sido transformada em algo esotérico, somente conferida aos grandes iniciados. Rituais restauracionistas são incluídos nas liturgias das igrejas. Tocam shofar (aquele berrante de chifre de carneiro, só presta para fazer barulho), fazem festas judaicas, vivem falando “shalom” (existe uma palavra em português que transmite toda a plenitude dessa, que é em hebraico: paz. Simples, não é?). Vestem os thalit (xales de oração) As determinações e decretos tomam o lugar da vontade divina, o que vale é a confissão positiva. Os rituais passam a ter valor sacramental. Correntes de “tantos dias” para quebra de maldições hereditárias (crente tem isso?). As bandeiras de Israel estão nos altares, nos carros e o judeu é tido como um filho predileto de Deus, apesar de sua incredulidade e de estarem planejando a reconstrução do templo de Jerusalém. A graça é liberada aos dizimistas fiéis e os demais estão “roubando a Deus” e sendo amaldiçoados. Pastores se intitulam apóstolos e ficam em lideranças máximas de comunidades, contrariando as Escrituras Sagradas e o chamado Didaché, documento do século II que prevê que o apóstolo que aparecer nas igrejas e nelas permanecer mais de dois dias, deve ser reputado como falso.

A graça de Deus é algo que nos livra das maldições do pecado. Paulo fala o tempo todo em suas cartas sobre ela. Nada de misterioso ou ritualístico. Dogmático sim: a graça de Deus anula o pecado de uma vez por todas e fim de papo! Igreja que constrói carro novo para carregar algo que deve ser levado nos ombros está em franca rota de colisão com a Palavra. Os ministros que assim permitem causarão a morte de muitos Uzás. Quantos ainda terão de morrer até que a Arca seja devolvida aos ombros dos sacerdotes? A Palavra da salvação é do púlpito, não de rituais proscritos e louvores inconsistentes. Se a Bíblia deixar de ser lida, pregada em sua simplicidade e enfeitada com achismos e exterioridades perigaremos ter um Evangelho maculado e de cêpa humana. Não sou eu, mas, Paulo é quem diz:"Mas, ainda que alguém - nós ou um anjo baixado do céu - vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema".

Algumas pessoas me perguntam:”Pastor, o senhor não é um pouco radical com seus pontos de vista em relação às músicas, costumes e práticas das igrejas? Eu respondo que não. Sou bíblico e não admito que se inventem coisas para “dar uma ajudazinha” à Palavra Revelada que se basta a si própria. Não abro mão disto.

Que a Igreja assuma o seu papel de carregar nos ombros o Concerto de Deus com ela e que os “carros novos”, por mais bonitos que sejam, sejam banidos em nome de Jesus para que o verdadeiro Evangelho da Graça encontre o seu lugar devido.

Autor: Pastor Gilmar de Araújo Duarte, Ministro de Educação Cristã da Primeira Igreja Batista em Brás de Pina, Rio de Janeiro, RJ.

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