quinta-feira, 8 de março de 2012

As filhas de Zelofeade e o Dia Internacional da Mulher

“As filhas de Zelofeade falam o que é justo; certamente lhes darás possessão de herança entre os irmãos de seu pai; e a herança de seu pai farás passar a elas.” Números 27:7

Chegamos ao dia 8 de Março e com ele o retumbar, em nossos ouvidos de palavras, frases, temas e as mensagens voltadas para o Dia Internacional da Mulher: Lutas e Conquistas; A mulher na vida social do mundo; Entre a carreira e família; Movimentos feministas; Mais dignidade às mulheres; Mulher que chora; Mulher que sonha; Mulher que ama incondicionalmente. As lojas usaram de todos os artifícios para atrair suas clientes, homenageando-as com rosas e perfumes, brindes e chás. Tudo isso porque a História recente mostra essa data, 08 de março, como uma homenagem a 130 mulheres que em 1857 morreram queimadas ao reivindicarem a redução de um horário de trabalho de 16 para 10 horas. Pedido justo, mas que foi recebido com violência e agressividade pelos patrões, os quais não cederam ao solicitado e trancaram o prédio, no qual essas mulheres se encontravam e atearam fogo para fazê-las calarem. Desde 1910, este episódio passou a ser lembrado, nas escolas, nas igrejas, nos meios de comunicação, como uma forma de chamar a atenção da sociedade para o papel e a dignidade da mulher.

Porém ao estudar esse acontecimento histórico, vemos o quanto as mulheres são valorizadas e reconhecidas por nosso Deus, muito antes de qualquer 1910: desde o princípio encontramos na Palavra de Deus mensagens de valorização à mulher, histórias e fatos bíblicos que mostram o quanto somos dignas de honra, merecemos ser ouvidas e sempre tivemos valor para Deus, e Ele sempre nos honrou perante o sexo oposto e perante a sociedade. E dentre tantas histórias, algumas nos passam despercebidas, entre elas uma de qual não podemos mais nos esquecer: A história das cinco filhas de Zelofeade que foram a Moisés reivindicar algo que lhes era de direito, mas que a lei não havia reconhecido.

Macla, Noa, Tirza, Hogla e Milca eram seus nomes. “E chegaram as filhas de Zelofeade, filho de Hefer, filho de Gileade, filho de Maquir, filho de Manassés, entre as famílias de Manassés, filho de José; e estes são os nomes delas; Macla, Noa, Hogla, Milca, e Tirza;”. Essas cinco mulheres, cujo pai fora um homem de grande reputação entre a família de Manasses, viveram no tempo de Moisés, quando as terras foram divididas entre as tribos. “Todavia a terra se repartirá por sortes; segundo os nomes das tribos de seus pais a herdarão.” Mas aconteceu que Zelofeade, o pai, veio a falecer antes de o povo hebreu entrar na terra prometida, e as mulheres solteiras e ainda jovens, ficaram órfãs. Consequentemente, pela lei mosaica não poderiam herdar parte da terra que era de seu pai. A lei era clara em determinar que quando o pai de família viesse a morrer, seus filhos homens herdariam a terra, ficando maior parte com o primogênito. Caso não tivesse filhos, a herança seria divida entre os irmãos do falecido.

Conhecendo que o direito de posse da terra passaria aos seus tios, e preocupadas em como se sustentariam até o casamento, as cinco se uniram, e numa ação imediata, tomaram coragem e foram falar com Moisés e com Eleazar , a fim de que pudessem ter elas mesmas o direito sobre a terra, e disseram: "Nosso pai morreu no deserto, e não estava entre os que se congregaram contra o SENHOR no grupo de Coré; mas morreu no seu próprio pecado, e não teve filhos. Por que se tiraria o nome de nosso pai do meio da sua família, porquanto não teve filhos? Dá-nos possessão entre os irmãos de nosso pai.” Moisés levou a causa dessas mulheres a Deus, e este respondeu: As filhas de Zelofeade falam o que é justo; certamente lhes darás possessão de herança entre os irmãos de seu pai; e a herança de seu pai farás passar a elas. E assim, as cinco, Macla, Noa, Tirza, Hogla e Milca, com a atitude de coragem em lutar pelo que era justo, conquistaram o que lhes era de direito.

Na continuação dessa história, encontramos condições que foram impostas a essas mulheres, a fim de que a terra permanecesse com elas: todas deveriam se casar com homens da mesma tribo,caso contrário,perderiam o direito conferido por Deus a elas.


Aprendemos lições maravilhosas com essa história:
- Quando nos unimos e levamos a Deus nossas petições somos atendidas, porque ele conhece as nossas necessidades.
O Senhor não ateará fogo a fim de que nossas vozes se calem.
- Se falamos o que é justo , nossas reivindicações são atendidas pelo nosso Deus. Mesmo sozinhas, sem alguém para nos proteger, sem um esposo, sem um filho, sem um pai, Deus não nos abandona.
- Se queremos herdar aquilo que nos é de direito, as lei de Deus se sobressaem às do homem.
- Temos que ser inteligentes: quando conquistamos algo da parte de Deus, temos que ser fiéis, manter a união e não quebrar jamais nosso pacto com o Senhor, a fim de que as promessas se cumpram por completo em nossas vidas.

Por isso, enquanto o mundo secular ergue a bandeira conclamando as mulheres para que se unam a fim de lutar por seus direitos e por mais dignidade, nós sempre estamos unidas na mesma fé e , assim como as cinco filhas de Zelofeade, já temos da parte de Deus nosso digno reconhecimento muito antes de 08 de março. Continuemos sempre unidas e falando sempre o que é justo, para conquistarmos o que parece impossível aos olhos humanos.

FONTE: Blog de Selma Alves da Silva Ferreira

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