domingo, 8 de maio de 2011

FELIZ DIA DAS MÃES

MÃE IDEAL


Ana, mãe do profeta e juiz Samuel. Sua história é simples e naturalmente semelhante a de tantas outras mulheres hebréias, às quais o Senhor não havia concedido a bênção da maternidade. Casou-se com Elcana, filho de Jeroão, da região montanhosa de Efraim. Seu marido teve duas esposas, ela e Penina, e, enquanto esta lhe dava vários filhos, mantinha-se Ana desolada e triste em sua esterilidade. Nem lhe valia a decidida preferência do esposo, que a amava, pois a outra, naturalmente ferida pelo ciúme, lhe atormentava os dias, humilhando-a constantemente.

1. O PEDIDO E A PROMESSA DE ANA

De ano a ano Elcana ia a Siló, com suas mulheres e seus filhos para adorar ao Senhor e oferecer-Lhe sacrifícios. Era justamente nessas ocasiões que Ana sentia mais fortemente a sua amargura, quando o marido, segundo o costume do tempo, separava os quinhões que deviam caber a Penina e a seus filhos.

Foi num desses momentos, em que sua alma se compungia ante a atitude da rival, que a deprimia e humilhava, que ela, num natural desafogo as suas angústias, se prostrou diante de Deus, numa oração que representou a vitória de sua vida.

Ela queria um filho que a dignificasse aos olhos do marido, livrando-a da humilhação diante da rival feliz. E nisso ela não diferia de tantas outras, igualmente infecundas e desditosas.

Mas vejamos o que dizem as Escrituras: Ela, profundamente amargurada, orou a Jeová e chorou muito, fez um voto, dizendo: "Jeová dos Exércitos, se, na verdade, tu te dignares olhar para a aflição da tua serva, e se te lembrares de mim; se não te esqueceres da tua serva, mas se lhe deres um filho varão, eu o darei a Jeová por todos os dias da sua vida, e não passará navalha pela sua cabeça." (1 Sm 1.10 -11).
Lendo as palavras com que Ana pedia ao Altíssimo aquela graça que constituiria a glória de sua vida notamos logo o voto que fazia com a súplica dolorosa: "eu o darei a Jeová por todos os dias de sua vida". Essas palavras foram o marco de sua oração.

2. ANA CUMPRE A PROMESSA FEITA

Assim, quando os seus braços amorosos aconchegaram ao seio o filho que lhe vinha como dádiva divina, ela o teve como precioso legado, de que devia cuidar como um grande bem confiado a sua guarda: ela o consagrara a Deus e, pois, a Seu serviço o entregaria. Aquele ser tão frágil quão estremecido, aquela vida que era a sua própria vida e pela qual tanta ansiedade e tanta mágoa havia experimentado; aquele desdobramento de seu próprio ser, não lhe pertencia: era do Senhor, pois que o dera o Senhor; ela cuidaria dele para que servisse a Deus por todos os dias de sua vida.

E desse modo foi tratado o menino Samuel, por sua mão, até que pudesse ser levado ao templo, para servir ao Senhor, segundo o voto por ela formulado.

Na antiga dispensação, para manter o culto a Jeová e instruir o povo no cumprimento da lei, havia naturalmente necessidade dos que se entregavam a esse santo ministério, para o qual Samuel foi separado desde o ventre de sua mãe. Na nova dispensação, porém, temos Jesus Cristo como sumo sacerdote (Hb 9.11), mediador de uma nova aliança (Hb 9.15), em que nos tornamos filhos e herdeiros da promessa.

Assim, não apenas alguns hão de ser separados para o serviço divino, mas todos os que foram resgatados pelo sangue de Cristo são possessão sua e a seu serviço hão de ser consagrados. Esse serviço atinge a todos sem exceção, cada um com a sua parte, parecendo grandiosas umas e modestas outras, mas todas igualmente imprescindíveis, porque representam a vontade de Deus para a vida dos que foram santificados pela fé.

3. A RECOMPENSA DE ANA

Voltando às páginas do livro sagrado, no que se refere à vida dessa mulher abençoada, leiamos o que se assinala em 1 Sm 1.18: "Assim a mulher foi o seu caminho, e comeu, e não mais era triste o seu semblante".
Após haver orado em lágrimas, apresentando ao Senhor as angústias de sua alma e a súplica fervorosa, vemo-la agora, segundo a narração bíblica, restituída à serenidade natural, pois cuidou da alimentação e "já não era triste o seu semblante".

É verdadeiramente impressionante o contraste entre a sua figura chorosa e dolorida, na oração que suplicava a Deus o filho desejado e a atitude que tomou logo após, quando erguendo-se calma já não era triste o seu semblante. E a tranqüilidade da alma, antes tão angustiada se espelhava então na fisionomia daquela mulher, cuja vitória na oração é uma lição para as mães que oram muito, mas que jamais o fizeram com a fé que por si só vale um prêmio.

Lembremo-nos de que, se a ansiedade mora em nosso peito e a inquietação nos agita a alma; se as nossas orações não nos trazem a tranqüilidade, filha da confiança; se não nos erguemos serenas e calmas, então, é nula a nossa fé, e não valem muito as palavras com que nos dirigimos ao Senhor, porque nos falta a fé asseguradora da vitória. Se a experimentarmos, porém, como Ana, não serão menores os nossos triunfos e terão nossos filhos, nos nossos joelhos dobrados diante de Deus, a mais forte garantia para uma vida abençoada.

4. O PRIVILÉGIO DAS MÃES CRISTÃS

E, pois, nós, mães cristãs, se desejamos que nossos filhos tenham a salvação pelo sacrifício de Jesus, havemos de prepará-los para o serviço que lhes está reservado. Seria erro pensar que nos pertencem os nossos filhos, e que nasceram tão somente para a satisfação de nossos anelos afetivos e o contentamento de nossos olhos. Quando os recebemos nos braços, envoltos ainda na inocência dos primeiros anos, não é necessário que digamos, como Ana: "eu o darei ao Senhor, por todos os dias de sua vida", pois eles pertencem ao Senhor, desde que o sangue de Jesus os resgatou da condenação.

Não são nossos, são do Senhor, pois por eles Jesus sofreu e morreu na cruz do CaIvário. Assim, a nossa responsabilidade assenta na preciosidade do legado em nossas mãos depositado. Se não dizemos como Ana: eu os darei ao Senhor, devemos dizer, como cristãs: eles são do Senhor. E, seguras dessa verdade, toda a nossa atuação deve ser inspirada no santo propósito de guiá-los segundo a vontade d’Aquele que os entregou a nossa guarda.


FONTE: UFMBB

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