quinta-feira, 4 de novembro de 2010

493 ANOS DA REFORMA PROTESTANTE

Dentre reformas religiosas no âmbito cristão, a Reforma Protestante do século 16 é a que mais impacto trouxe na história do ocidente cristão. Na visão protestante, 31 de outubro de 1517 é a data fundante em que ideias de protesto eclesial e reformismo religioso são tornados públicos. Inaugurava-se um novo momento na história eclesial, sendo que o teólogo e padre Martinho Lutero se tornou um dos expoentes mais incisivos dessas ideias.

Ao longo dos séculos, a forma oficial de vivência da fé cristã fora se desgastando e, em muitas compreensões, afastando-se da novidade original advinda de Jesus de Nazaré. O surgimento de ordens religiosas, que se retiravam a monastérios ou conventos, pode ser compreendido como protesto às práticas vigentes na Igreja. A seu modo, essa retirada buscava o resgate do sentido supremo da pregação e missão cristã. Uma primeira cisão de maior impacto na Igreja veio a surgir por volta de 1059, com a formação da Igreja Católica Ortodoxa, independente do papado romano.

Evidentemente, a Reforma Protestante no século 16 está num contexto histórico de transições tanto na área econômica quanto política. O modo de produção feudal vinha perdendo espaço, e o mercantilismo – posteriormente, capitalismo – se impondo. Politicamente, a influência da Igreja, por meio de bispos e papas principalmente, vinha sendo contestada, ora silenciosamente, ora de forma pública. Também o “mundo das ciências e das artes” estava deixando marcas decisivas.

A confluência de diversos fatores, além do propriamente religioso, foi fundamental para que a Reforma Protestante tivesse êxito. É claro que a nova pregação de salvação “somente pela fé, pela graça de Deus, pela Escritura Sagrada e por Cristo” inaugurou um modelo relacional que se contrapunha ferozmente à prática eclesial existente.

No contexto brasileiro, nas últimas décadas e nos tempos atuais, também tem sido vivenciada uma reforma da religiosidade cristã sem igual. Independentemente de mérito valorativo, a proliferação de “igrejas-empresas-de-fé-e-de-cura” tem trazido um questionamento profundo às instituições eclesiais tradicionais.

Mais que esperança salvífica, prega-se o alcance de resultados imediatos. O resultado efetivo disso ainda está por vir.

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