quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Polêmica: "HINO 196 DA HARPA CRISTÃ PODE ESTAR EQUIVOCADO?"

O hino Uma Flor Gloriosa, escrito por Frida Vringren no início do século passado, é um dos mais conhecidos pela igreja brasileira nas últimas décadas. Há, inclusive, um vídeo no Youtube que mostra o esposo da compositora, o missionário Gunnar Vringren, cantando essa canção recém-composta, com o sotaque arrastado ao som de um violão, logo após uma extensa entrevista.

Mas será que essa música quase centenária, de número 196 da Harpa Cristã, pode conter alguns desvios que, ao longo dos anos, mal foram notado por nós?

Eis alguns trechos:
"Já achei uma flor gloriosa, e quem deseja a mesma terá" (primeira estrofe)
"E o poder desta flor gloriosa que dá vida ao vil pecador" (segunda estrofe)

Analisando biblicamente e sem isolar trechos, o título "Rosa de Sarom" não pode ser aplicado a Jesus. Em Cantares de Salomão 2, vemos um diálogo alternado entre a noiva e o noivo, que começa antes, nos versículos do capítulo anterior. Deve-se, portanto, fazer uma leitura cuidadosa a fim de identificar quem está se pronunciando em cada versículo.

Em Cantares 2.1, diferentemente do que muitos cristãos aprenderam durante muito tempo, é a noiva quem diz "eu sou a rosa de Sarom, o lírio dos vales", e não o noivo. Ele responde no versículo seguinte, quando diz que "qual o lírio entre os espinhos, tal é a minha amiga entre as filhas".

O Pr. Ciro Zibordi faz uma análise clara desse versículo - Cantares 2.1: "Em Cantares 2.1, a noiva, que terminou falando no fim do capítulo 1, prossegue: “Eu sou a rosa de Sarom, o lírio dos vales”. No versículo 2, o noivo responde: “Qual o lírio entre os espinhos, tal é a minha amiga entre as filhas”, deixando claro que “rosa de Sarom” e “lírio dos vales” se referem à noiva".

Logo, esta flor gloriosa, como sendo a rosa de Sarom, conforme o texto bíblico, não pode se referir a Jesus, apesar destes atributos inquestionáveis dadas a Ele na canção: "glorioso, precioso, perseguido, ofertado". Vemos, no entanto, que é a donzela sulamita que se compara às flores dos campos (Sarom era uma planície ao sul do monte Carmelo), e não com as de Jerusalém. Mas isso é visto após uma detalhada observação do que está escrito, e é isso que cada cristão deve fazer com tudo o que envolve as Sagradas Escrituras (At 17.11; 1 Jo 5.39; Mt 22.29)

Com isso, não quero cometer o patético absurdo em dizer que a Harpa Cristã está cheia de heresias ou ultrapassada, como seus maldizentes alegariam. Sem dúvidas, prefiro este hinário às músicas hodiernas que só exaltam o homem. Em contrapartida, há pequenos escapes que, analisados minuciosamente, se desviam do que as Escrituras dizem, e estas devem estar acima de quaisquer preceitos humanos, desde os mais indignos aos mais santos.

Portanto, pode-se dizer que o hino 196 da H.C. contém esses leves equívocos, ainda que alguém defenda a chamada "licença poética" usada pela temente missionária sueca.

Fonte: A-BD

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